Mãe de gêmeos fala sobre difícil decisão após diagnóstico de condição rara: “Abortar um ou colocar a vida dos dois em risco”




Depois de anos tentando ter um filho e de sofrer um aborto espontâneo, Kloe Matthew, 31, de Suffolk, na Inglaterra, conseguiu finalmente realizar o sonho de engravidar — e de gêmeos. No entanto, com 17 semanas de gestação, uma condição diagnosticada nos exames do pré-natal quase colocou tudo a perder. Os irmãos compartilhavam a mesma placenta, que foi identificada com a Síndrome da Transfusão Feto-Fetal (STFF), uma complicação na qual o fluxo sanguíneo, com oxigênio e nutrientes, passa de maneira desproporcional entre os bebês, fazendo com que um se desenvolva mais do que o outro.

Os gêmeos, James e Michael (Foto: Reprodução/ Daily Mail)
Os gêmeos, James e Michael (Foto: Reprodução/ Daily Mail)

Os médicos, então, disseram a ela e a seu parceiro, Michael, 35, que algo precisava ser feito com urgência. Uma das opções era cortar o cordão umbilical de um dos bebês, privilegiando o que estava maior. Assim, o menor seria abortado. A outra era fazer uma arriscada cirurgia a laser, que poderia acabar com a vida de ambos — ou salvá-los. A chance de sobrevivência do bebê menor era de apenas 10% e, por isso, os especialistas recomendaram com mais ênfase a primeira alternativa. “Eu tinha apenas três horas para tomar a decisão e, uma hora depois, eu estava em cirurgia para tentar salvar os dois”, disse a mãe. “Depois da cirurgia, eu fiquei muito mal, mas sabia que tinha tomado a decisão certa”, completou.

A delicada operação aconteceu no hospital King’s College, em Londres. “Nunca foi uma escolha entre meus meninos. Nos deram essa chance por um motivo. Ser convidada a considerar cortar o cordão umbilical do meu pequeno Michael foi o pior dia da minha vida – parecia que tínhamos sido descartados”, explicou a mãe, em entrevista ao Daily Mail. “Depois de tudo que já passamos, eu sabia que ambos mereciam uma chance de lutar. Algo me disse para dar aos dois uma chance e eles precisavam ficar juntos, então decidi salvá-los e ir para o tratamento a laser”, contou.






“Muitas pessoas entram em trabalho de parto de 10 a 12 semanas após a cirurgia e meus meninos fizeram isso dez semanas após o procedimento”, afirmou Kloe, que deu à luz os bebês no dia 28 de janeiro de 2021. “Eu não estava me sentindo bem e ainda estava preocupada com meus meninos porque eles estavam chegando muito cedo, com apenas 27 semanas”, lembra a mãe. Assim que nasceram, James e Michael Matthew foram encaminhados para a UTI neonatal, onde passaram 16 semanas lutando pela vida. “Eu não consegui ver meus meninos por 14 horas depois que eles foram levados para a UTI. Foi uma época tão horrível – eu não sabia se eles iriam sobreviver e eu só queria conhecer meus bebês”, recordou Kloe. “Foi incrível vê-los, mas absolutamente aterrorizante, ao mesmo tempo”, completou.

Felizmente, deu tudo certo e agora, os dois estão saudáveis, com 18 meses. “Os meninos acabaram de fazer seu primeiro aniversário. E pensar que nunca achamos que iríamos vê-los engatinhando e aprontando. Eles são melhores amigos e já passaram por tantas coisas juntos que estou animada para ver como o vínculo deles se desenvolverá”, comemora a mãe.

Sobre a síndrome da transfusão feto-fetal

A Síndrome da Transfusão Feto-Fetal é uma condição rara que afeta até 15% de gêmeos idênticos na gravidez. Ocorre quando vasos da circulação de gêmeos se comunicam. Isso faz com que um bebê receba parte do sangue do outro e fique com excesso de volume e o outro, com redução. O tratamento é feito no segundo trimestre e no início do terceiro, por fetoscopia, e consiste na cauterização a laser de vasos presentes na placenta, que levam ao desequilíbrio. As chances de sobreviver saltam de 5% para 85% e o risco de lesões neurológicas cai de 20% a 30% para cerca de 5%.

Fonte: Revista Crescer






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