Índia deixa sossego do Amazonas para realizar sonho no agito do Rio: "O Vasco abraçou minha história" - ValeSeuClick.com - Notícias do mundo inteiro, em tempo real

Índia deixa sossego do Amazonas para realizar sonho no agito do Rio: “O Vasco abraçou minha história”


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Joseane Bandeira da Silva foi várias ao longo dos seus 27 anos de vida. Há quatro anos no Rio de Janeiro, a lateral-direita do Vasco deixou de ser a Jô ou Jose criada lá no interior do Amazonas para se tornar Índia e realizar o sonho de ser jogadora de futebol, que já estava adormecido no coração da menina de Missão, uma comunidade com cerca de 80 famílias localizada na cidade de Tefé.

Índia com a braçadeira de capitã do Vasco — Foto: Matheus Lima/Vasco

Índia com a braçadeira de capitã do Vasco — Foto: Matheus Lima/Vasco

Nesse Dia Internacional da Mulher, Índia olha para trás e sente orgulho da luta que enfrentou para estar hoje em um dos maiores clubes do país, o clube de coração do pai e da irmã. Lembra hoje com a mesma intensidade o frio na barriga que sentiu ao pisar em São Januário pela primeira vez. Se teve a oportunidade de se profissionalizar só aos 23 anos, a amazonense vê a filha Nicole, de 11 anos, seguir o caminho inverso. No Rio com a mãe desde o ano passado, a menina estuda e treina no Vasco.

– É muito bom estar com minha filha, vendo ela seguir esses passos, tendo a oportunidade de fazer isso cedo, estando numa base boa, e isso que quero para outras garotas. Sempre falo para ela valorizar, porque tem milhares de meninas querendo estar nesse lugar e tendo esse suporte. O Vasco me abraçou, abraçou minha história, um clube que realmente acolhe todos – disse Índia em papo com o ge, e completou:

– Esses dias estava pensando sobre sonhos, e tudo que eu sonhei eu realizei. Tenho minha família, consegui comprar minha casa, a meta agora é ser convocada para a Seleção, é um sonho não só pra mim, mas pra outras meninas que querem jogar futebol. Quando eu chegar lá, já posso me aposentar, ir criar meus peixes, ficar na minha rede (risos).

A brincadeira tem fundo de verdade. Graduada em Tecnologia em Produção Pesqueira e técnica em imobilização ortopédica, Índia fez morada na correria do Rio, mas quer de volta num futuro breve a tranquilidade do interior do Amazonas. Terceira mais velha entre os dez filhos de José e Carmen, a jogadora do Vasco foi introduzida ao futebol pelo pai e por um irmão e se destacou no time de futsal feminino da escola em que estudava.

– Eu sou muito caseira, fui criada no interior pescando, então vou voltar, vou criar meus peixes, mas isso no futuro. Sinto muita falta da minha terra, aqui é muita correria, outro mundo – destacou.

Índia com os pais e a filha Nicole no dia da formatura — Foto: Arquivo pessoal

Índia com os pais e a filha Nicole no dia da formatura — Foto: Arquivo pessoal

Até os 23 anos foi ao futsal que a atleta se dedicou. Com Manaus a três dias de barco de Tefé, Índia não viu possibilidade de ir fazer testes nos clubes da capital do Amazonas. Começou a pensar sobre o assunto quando recebeu o interesse de Edson Galdino, grande incentivador do futebol feminino, ex-treinador do CEPE Duque de Caxias e tetracampeão Carioca Feminino. Ele faleceu no início desse ano.

– Meu marido era do quartel e tinha um amigo sobrinho do técnico Edson, que me viu jogar e gostou, mas eu já tinha 23 anos e nem pensei em fazer teste. Terminei a faculdade e o curso técnico, fiquei sem o que fazer num período, e meu marido me incentivou. Sempre tive o sonho de jogar, eu e minha irmã Jainy ficávamos brincando de fazer entrevista, estou realizando o sonho dela também.

Na cara e na coragem, a amazonense entrou em um avião pela primeira vez na vida rumo ao Rio de Janeiro, onde ainda não conhecia ninguém. Foi recebida por Edson e ficou alojada na casa do treinador, de quem recebeu o apelido de Índia. Pelo Duque de Caxias, foi vice-campeã carioca em 2018 e chamou atenção do Vasco no ano seguinte, em um jogo contra as meninas da Colina.

Índia, a filha e o marido no Rio de Janeiro — Foto: Arquivo pessoal

Índia, a filha e o marido no Rio de Janeiro — Foto: Arquivo pessoal

Assim a Cruz de Malta, velha conhecida da família, entrou de vez na vida da lateral, que se transferiu para São Januário em 2020. No Vasco conseguiu se reorganizar e trazer a filha Nicole, que tinha ficado com a família em Tefé. Hoje, tem a própria casa em Nova Iguaçu, onde vive com o marido José. A escolha pela carreira fez Índia deixar pra trás a relação próxima com os pais, que moram numa comunidade sem sinal de telefone e, por isso, não se falam com tanta frequência.

– A primeira dificuldade foi andar de avião, vim embora sem ninguém, com a cabeça a mil. Outra dificuldade foi a alimentação, o feijão preto do carioca (risos), o clima e a agitação. Lá são duas estações: quente e calor. Os treinos também foram difíceis, a rotina pesada, me adaptar tática e tecnicamente, eu nunca tinha trabalhado só com futebol, mas é um trabalho que amo, uma diversão com responsabilidade – contou Índia, e aconselhou:

– Temos que sempre acreditar no potencial, buscar o “sim”, porque nós mulheres, principalmente, temos o “não” o tempo todo, porque nos acham frágeis, tem sempre alguém dizendo que não vamos conseguir. É trabalhar bastante, orar e agir, sair da cama e buscar o melhor de si.

Índia em atuação pelo Vasco contra o Fluminense — Foto: Matheus Lima/Vasco

Índia em atuação pelo Vasco contra o Fluminense — Foto: Matheus Lima/Vasco

Em sua terceira temporada com a camisa do Vasco, a lateral vê traços de evolução no time, que já contratou nove reforços nesses primeiros meses de 2022. Com o foco na Série A1 do Brasileirão Feminino, Índia comemora uma contratação de peso para a beira do campo: a ex-jogadora Pretinha, que também defendeu a seleção brasileira, é a nova auxiliar técnica da modalidade.

– A Pretinha chega num excelente momento, para agregar, uma pessoa super humilde. Estamos tendo contato direto com ela, canal aberto de comunicação, chega e nos sugere formas diferentes de fazer as jogadas. Ela entra nas brincadeiras também, uma honra trabalhar com ela – concluiu índia.

Os treinos do time feminino acontecem na Vila Olímpica de Caxias, no Artsul e em São Januário. Em 2022, o Vasco vai disputar novamente a Série A2 do Brasileirão, com início marcado para 21 de maio, além do Campeonato Carioca no segundo semestre.

Fonte: GE

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