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Renan e PT propõem cassação de Kim Kataguiri após fala



BRASÍLIA — O PT e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) defenderam nesta quarta-feira que o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) tenha o mandato cassado após afirmar que o nazismo não deveria ter sido criminalizado na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Bolsonaristas pediram que o parlamentar, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), renuncie. A delcaração dele foi dada durante participação no Flow Podcast exibida na última segunda.

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros Foto: Reprodução / TV Senado
O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros Foto: Reprodução / TV Senado

 

Renan sustenta que Kataguiri desrespeitou vítimas do Holocausto, extermínio em massa de milhões de judeus em câmaras de gás realizado pelos nazistas, sob a liderança de Adolf Hitler. Nessa esteira, afirmou que o caso deve ser apurado pelas autoridades e que a apologia ao nazismo não é protegida pelas liberdades de opinião ou de expressão.

 

No podcast, o apresentador Monark defendeu que seja possível a criação de partido nazista reconhecido pela lei. Um dia após a fala, ele foi desligado do programa e deixou de ser sócio da empresa diante da grande repercussão negativa.

— As pessoas não tem direito de ser idiotas? A gente tem que liberar tudo — afirmou.

Como mostrou a colunista Bela Megale, do GLOBO, a bancada petista deve pedir a cassação de Kataguiri no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados ainda nesta quarta. A Procuradoria-Geral da República (PGR) investigará as declarações de ambos sobre nazismo. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) já instaurou inquérito.

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A transmissão levantou o debate nas redes e revoltou associações judaicas, patrocinadores e ex-convidados do programa. Empresas anunciaram o fim de vínculos contratuais e participantes pediram que os episódios fossem retirados do ar.

A deputada Tábata Amaral (PSB-RJ), que também participava da transmissão, rebateu Monark e disse que a liberdade individual termina a partir do momento que fere a de outra pessoa.

— A questão é: se o cara quiser ser um anti-judeu ele tinha que ter direito de ser — completou o apresentador.

Foi então que Kim disse achar errada a criminalização do nazismo. O debate levou os nomes dos deputadios à lista de assuntos mais comentados das redes sociais.

— O que eu defendo que acredito que o Monark também defenda, é que por mais absurdo, idiota, antidemocrático, bizarro, tosco que o sujeito defenda, isso não deve ser crime — disse o deputado. — Porque a melhor maneira de você reprimir uma ideia é (…) é você dando luz naquela ideia, para ela seja rechaçada socialmente e então socialmente rejeitada.

Procurado pelo GLOBO, Kataguiri respondeu que sua fala foi “infeliz” ao falar descriminalização total e que, na realidade, defendia que as pessoas tivessem acesso às obras para “repudiar os horrores do nazismo”:

— Não faz sentido eu ter o meu mandato cassado por fazer um discurso antinazista, por defender que a melhor maneira de derrotar as ideias nazistas, de sufocar e garantir que a tragédia do Holocausto nunca mais aconteça novamente é expondo os horrores das obras nazistas. Foi isso que eu defendi. Fui infeliz ao falar da descriminalização, porque me expressei mal e pareceu que eu estava defendendo a descriminalização total do nazismo quando eu estava me referindo às obras, que as pessoas tenham acesso às obras, como a comunidade judaica alemã defende, justamente para repudiar os horrores do nazismo. É uma injustiça me colocarem a pecha de nazista quando toda a minha participação no programa foi no sentido de qual é a melhor maneira de definitivamente derrotar o nazismo.

Fonte: O globo

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