Mulher amputa braço após ter Covid e vive readaptação ‘difícil’




Lucília Monteiro da Silva precisou amputar braço após complicações da Covid-19 — Foto: Arquivo Pessoal/Lucília Monteiro da Silva

A ajudante geral Lucília Monteiro da Silva, de 49 anos, passou por momentos muito difíceis na recuperação da Covid-19. Ela sofreu uma trombose, que causou a amputação de parte do braço esquerdo, e agora passa por reabilitação. ‘A recuperação foi e tem sido horrível, mas eu tenho sorte de ter minha família”, disse ao G1 neste sábado (16).

Moradora de São Vicente, no litoral de São Paulo, Lucília conta que foi diagnosticada com a doença no fim de maio. Após o teste rápido dar negativo, ela fez o ‘swab’, que confirmou a Covid-19 15 dias depois. A ajudante geral teve tosse, cansaço e febre, precisando ficar internada. Chegou a ser liberada, mas precisou voltar ao hospital quando passou a sentir formigamento no braço.

Lucília relata que descobriu um trombo, causado por complicações da Covid-19 e da diabetes, comorbidade que já tinha. “Fui para o hospital, e quando cheguei, a mão estava ficando escura e com muita dor”, relembra. Ela fez uma primeira cirurgia para tentar conter e resolver a situação, mas precisou amputar parte do membro.

“Fiquei, ao todo, um mês e uma semana internada. Ficar lá sem visita, não poder ver a família, foi muito difícil, e quando voltei, dependia de todos para me ajudar”, relembra.

Ajudante precisa fazer fisioterapia duas vezes por semana — Foto: Arquivo Pessoal/Lucília Monteiro da Silva

Ajudante precisa fazer fisioterapia duas vezes por semana — Foto: Arquivo Pessoal/Lucília Monteiro da Silva


A volta para casa foi complicada, já que ela precisou reaprender a fazer coisas básicas. Lucília mora com o esposo e três filhos, que começaram a ajudá-la. “Como eu sou ‘elétrica’, para mim está sendo muito difícil. Para abotoar uma calça, amarrar o cabelo, essas coisas, preciso de ajuda em tudo”, comenta.

A saída do hospital ainda trouxe novos desafios: a reabilitação e a adaptação. Lucília passou a fazer fisioterapia em um centro especializado. Utilizando uma órtese, ela tenta se acostumar à nova realidade. Dois dias por semana são dedicados à fisioterapia. Com muito esforço, a ajudante tenta recuperar a independência, preparando-se para o retorno ao trabalho após seis meses afastada.

A ajudante relata que sente revolta ao ver as aglomerações e festas em meio ao aumento de casos da Covid-19. “Ao ver todo mundo sem máscara, à vontade, fazendo o que quer, e não acontecendo nada, fico me perguntando: ‘por que teve que acontecer logo comigo?'”. O aumento das confirmações é motivo de medo, e ela tenta conscientizar as pessoas que não imaginam a seriedade da doença. “Dá um pouco de medo, assusta, depois de tudo que aconteceu”, explica.

Marido de Lucília a ajuda na recuperação e com tarefas do dia a dia — Foto: Arquivo Pessoal/Lucília Monteiro da Silva

Marido de Lucília a ajuda na recuperação e com tarefas do dia a dia — Foto: Arquivo Pessoal/Lucília Monteiro da Silva

Fonte: g1

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