Filho de Valkmar coleciona gols no Vasco e é promessa de artilheiro


Filho de ex-zagueiro do Vasco é destaque do time sub-11

Filho de ex-zagueiro do Vasco é destaque do time sub-11

Filho de ex-zagueiro do Vasco é destaque do time sub-11


Valkmar atuou no Vasco de 1995 a 2000. Fez parte do elenco que conquistou os principais títulos da história do clube: Libertadores, Mercosul, Campeonato Brasileiro. Mas sua maior contribuição para o clube onde foi criado pode ter chegado tempos depois: seu filho Rayan, de 11 anos, é uma das principais promessas das categorias de base do Cruz-Maltino.

Ainda alternando entre campo e salão, Rayan tem números impressionantes na incipiente carreira. Ele está no Vasco desde os sete anos e empilhou gols desde então – só em 2017, juntando campo e futsal, ultrapassou a marca de 100. E tem uma vítima predileta: o rival Flamengo – na última semana, balançou as redes cinco vezes na vitória por 6 a 5 sobre o adversário pelo Metropolitano de futsal.Ao todo, de acordo com dados fornecidos pelo clube, são 280 gols – confira na lista abaixo.

Os gols de Rayan pelo Vasco:
* Números fornecidos pelo clube


2014 (Futsal)

  • Talents Cup sub-08: oito gols (artilheiro)

2015

  • Festbolin sub-09: cinco gols (artilheiro)
  • Carioca (Futsal): 23 gols
  • Estadual (Futsal): 27 gols

2016

  • Festbolin sub-10: 10 gols (artilheiro)
  • Metropolitano sub-11: seis gols
  • Go Cup sub-10: 18 gols (artilheiro)
  • Carioca (Futsal): 51 gols
  • Estadual (Futsal): 29 gols

2017

  • Copa Dente de Leite: 17 gols (artilheiro)
  • Metropolitano sub-11 (em andamento): sete gols
  • Copa Cidade Verde sub-12: 10 gols (artilheiro)
  • Go Cup: 22 gols
  • Carioca (Futsal): 47 gols

Preocupação de pai e supervisor

Depois de deixar o Vasco, Valkmar perambulou por times menores do Brasil. Voltou ao Cruz-Maltino depois que o filho chamou a atenção numa escolinha, passou numa peneira e começou a treinar. Hoje, é supervisor da base e trabalha diretamente com Rayan.

– Ele começou a jogar futsal na escolinha do meu cunhado. Eu não tinha tempo porque trabalhava e não podia acompanhar. Pessoas viram e falavam que ele tinha condições de jogar em alguma equipe. Como somos vascaínos, ele veio para o clube. Um belo dia um treinador do futsal do clube o viu treinando na escolinha e fez o convite para trazê-lo aqui. Veio na categoria sub-7 e está até hoje jogando futsal e campo ao mesmo tempo – contou Valkmar.

Valkmar e Rayan em São Januário (Foto: Felipe Schmidt)Valkmar e Rayan em São Januário (Foto: Felipe Schmidt)

Valkmar e Rayan em São Januário (Foto: Felipe Schmidt)

Rayan ficou tímido quando a entrevista começou. Mas abriu o sorriso quando foi questionado sobre o gol mais bonito que fez: contra o Flamengo, encobrindo o goleiro.

Foi por cima do goleiro. O Leandrinho cruzou para mim, aí peguei e coloquei por cima. Abri os braços para comemorar. É a minha comemoração preferida. O Luis Fabiano faz assim.

No Vasco, o jogador preferido de Rayan é Nenê. No futebol mundial, o espelho é Cristiano Ronaldo. A explicação pela predileção é simples: a facilidade de ambos para fazer gol.

– Sempre fui atacante. Gosto de jogar assim. Alguns treinadores me colocam de meia, de ponta. Mas prefiro ser centroavante – completou.

Rayan comemora gol sobre o Fluminense (Foto: Carlos Gregório Jr. / Vasco)Rayan comemora gol sobre o Fluminense (Foto: Carlos Gregório Jr. / Vasco)

Rayan comemora gol sobre o Fluminense (Foto: Carlos Gregório Jr. / Vasco)

O talento de Rayan fez com que ele começasse a atuar em categorias acima de sua idade. No ano passado, pelo Campeonato Metropolitano, pelo sub-11, fez três gols na final contra o Flamengo.

Sincero, o garoto não viu muita diferença na mudança. A preocupação de Valkmar é fazer com que ele evolua no futebol sem perder a humildade nem queimar etapas. E ainda ter tempo para brincar pelas ruas da Barreira do Vasco, onde eles moram.

– Brinco com meus colegas aqui da Barreira, pique-esconde, pega-pega. Gosto de pique-esconde, pique-ajuda. Jogo videogame. Com o Real Madrid e com o Paris Saint-Germain. Gosto do Cavani e do Cristiano Ronaldo.

Lições do futebol

Enquanto Rayan é atacante, Valkmar foi zagueiro. Precisou marcar craques como Edmundo, Donizete, Romário, Luizão. E sofreu um bocado.


Zagueiro é sofrimento

– Ter que marcar os melhores atacantes que o Brasil já teve é difícil. Atacante é mais fácil. Mas o importante é que o Rayan busque espaço, independente da posição. Tem que ter objetivo. Dedicação no treino durante a semana, dar seu máximo para chegar no nível desses monstros com quem tive o prazer de jogar.

Valkmar, com a camisa 22, ao lado de Junior Baiano, na época áurea do Vasco (Foto: Arquivo pessoal)Valkmar, com a camisa 22, ao lado de Junior Baiano, na época áurea do Vasco (Foto: Arquivo pessoal)

Valkmar, com a camisa 22, ao lado de Junior Baiano, na época áurea do Vasco (Foto: Arquivo pessoal)

O cuidado de Valkmar com o filho vai além da evolução dentro das quatro linhas. O zagueiro conhece as armadilhas do futebol. Por isso, trabalha para que Rayan valorize a oportunidade de crescer num clube como o Vasco.

– O bom é você estar num clube de estrutura, onde você vai ser bem formado. Passei por clubes que não tinham estrutura para você trabalhar corretamente. Quando você tem base num clube como o Vasco, é importante. Lá é diferente e você tem que correr atrás, senão desanima, quer parar de jogar. Tem que valorizar hoje o que você tem e conseguir alcançar o objetivo. Por isso sempre falo com ele que tem que ser humilde. Buscar espaço com humildade, não passando por cima de ninguém – contou.

Valkmar ainda nos tempos de base do Vasco (Foto: Arquivo pessoal)Valkmar ainda nos tempos de base do Vasco (Foto: Arquivo pessoal)

Valkmar ainda nos tempos de base do Vasco (Foto: Arquivo pessoal)

Depois que deixou o Vasco, Valkmar passou por Mirassol e União São João, de São Paulo. Rodou por outros clubes até se aposentar no CFZ. Sem uma poupança polpuda dos tempos de futebol, precisou buscar dinheiro em outras áreas.

Trabalhei como segurança. Não ganhei dinheiro com futebol. Joguei os títulos mais importantes do Vasco, mas não ganhei para ficar bem estabelecido na vida. Tive que trabalhar

Caso Rayan continue em progressão, a expectativa é de que o menino conheça outro lado, o de um futebol cada vez mais milionário. Em época em que garotos como Vinicius Junior são vendidos por centenas de milhões, Valkmar quer marcar o filho em cima.

– Hoje sou feliz com o que tenho. O que ganho dá para eu viver. É muito importante porque a gente não o deixa ultrapassar o limite. Caso ele seja vendido com esses preços absurdos que hoje o futebol pega os garotos jovens, a gente conseguir segurar um pouco as saídas noturnas, as bebidas, as mulheres. Hoje sei como fazer e conversar com ele para a gente não chegar a extrapolar. O objetivo é ele seguir a carreira em alto nível até encerrar. Depois, já com família formada, idade boa, segue a vida. Hoje a gente busca trabalhar o dia-a-dia, ano por ano, para ele alcançar o objetivo. Eu, a mãe dele, a irmã, que é mais velha, damos suporte para ele.

Fonte: Globoesporte.com


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